[ou Confirmando o estereótipo do maradona]
- Pensei em jantarmos cá em casa e vermos o jogo. Que tal?
- Boa. Pizzas e cerveja?
- Naaaa. A J. cozinha um belo jantar e eu abro uma das boas garrafas de vinho que tenho cá em casa.
[jantar a cheirar bem e a sair do forno, vinho já nos copos, aperitivos na mesa]
- Põe lá no jogo. Deve estar mesmo a começar.
- Em que canal é que vai dar?
- Na Sport TV.
- Er… como na Sport TV?
- Tu tens Sport TV, não tens? Diz-me que sim.
- Er… não. Oops.
- E agora?
- Ouve-se o relato?
- Que deprimente.
- Põe-se baixinho, só para ouvir os golos.
- Deixa-me dizer-te que tens um jeito para combinares jantares em tua casa em noite de jogo…
[conversa bastante agradável e relato como som de fundo, quase imperceptível]
- Goooooooooooooooooooo [De quem, de quem?] oooooooooooooooooooo [Não sei, não ouvi. Põe mais alto.] loooooooooooooooooooo [Diz Benfica, diz Benfica.] oooooooooooooooooooo [Despacha-te lá, chato.] Do Sportiiiiiiiiiiiiiiiiiiiing!
- Oh, bolas!
- Liga-se a televisão e muda-se para a novela?
- Yeap.
Saturday, January 08, 2005
Friday, January 07, 2005
A vingança é um prato que se come… quente, delicioso e regado de um bom vinho
Paragem no Porto, na volta. Assim de improviso.
Jantar no D’Oliva Al Forno - ...hummm... - e muito bem acompanhada.
Só para não me obrigarem a ter uma viagem destas e ainda se ficarem a rir.
Jantar no D’Oliva Al Forno - ...hummm... - e muito bem acompanhada.
Só para não me obrigarem a ter uma viagem destas e ainda se ficarem a rir.
Viagem do Inferno
[dez minutos de espera]
Porcaria do comboio que nunca mais chega. E com o frio que está.
Bem, para ser justa, nem sequer me posso queixar porque a maior parte das vezes agradeço que se atrase senão ficava em terra. Deve estar mesmo a aparecer por aí.
[trinta minutos depois]
Linha interrompida. Isto vai demorar. Logo hoje que tenho reunião fora.
[quarenta e cinco minutos depois]
A sala de espera está cheia, sem um único lugar, e cheira mal. E eu cá fora ao frio. Já não sinto os pés.
[uma hora depois]
Estou na mesma página do jornal há sei lá quanto tempo. Recuso-me a tirar as mãos dos bolsos.
[uma hora e meia depois]
Isto é tortura. Só me apetece voltar para a minha cama. Nem sequer cheguei a sentir-lhe o gosto. Para variar, só dormi uma hora para conseguir acabar a apresentação. Mesmo vazia, nunca me pareceu tão atraente.
[uma hora e quarenta e cinco minutos depois]
Escusavam de dizer de dez em dez minutos que o comboio está atrasado sem dar mais informações relativamente à sua chegada. Fico toda empolgada cada vez que ouço «Informamos que o Alfa pendular…», estico-me toda para ver se o vejo, para, logo de seguida, me resignar ao frio e a um trocar de pernas.
[duas horas depois]
Dói-me o rabo de estar aqui sentada. Não tarda prevejo que a cabeça descaia sobre o ombro do rapaz ao meu lado que não conheço de lado nenhum.
[duas horas e quinze minutos depois]
É uma miragem; não, é um suburbano; não, parece mais um regional; não, é ele, é o Alfa para Braga.
Alívio; frio esquecido; rabo dolorido sarado que não sou de guardar rancores.
[no tão esperado comboio]
Juntaram os dois últimos Alfas num só. Isto não augura nada de bom.
Não, minha senhora, não estou enganada. Não é a carruagem 5, lugar 56? Pois. Eu peço desculpa de a estar a incomodar mas esse é de facto o meu lugar e, como vê, o comboio está cheio, senão não me importaria de trocar consigo. Ai as costas, ai a espondilose [é a patroa da menina?*]. Já não tenho idade para andar assim de um lado para o outro, daqui não saio. Claro, nem tem que sair. Onde está a minha educação? Eu sou jovem e a senhora alega a idade e a dificuldade de circulação - embora pareça consideravelmente nova, convenhamos. A senhora tem mesmo é que se sentar no primeiro lugar que encontra porque não lhe apetece procurar o seu. E eu tenho mais é que calar, pedir desculpa e ir procurar outro.
Estou quase, quase a dar em doida.
[à chegada ao Porto]
«Lamentamos informar que o Alfa com destino a Braga termina hoje, excepcionalmente, por aqui. Queira prosseguir a viagem no autocarro que se encontra no exterior, no largo da estação.»
Ah… só para terminar em beleza.
* Reminiscências de quando o Herman ainda estava no seu melhor.
Porcaria do comboio que nunca mais chega. E com o frio que está.
Bem, para ser justa, nem sequer me posso queixar porque a maior parte das vezes agradeço que se atrase senão ficava em terra. Deve estar mesmo a aparecer por aí.
[trinta minutos depois]
Linha interrompida. Isto vai demorar. Logo hoje que tenho reunião fora.
[quarenta e cinco minutos depois]
A sala de espera está cheia, sem um único lugar, e cheira mal. E eu cá fora ao frio. Já não sinto os pés.
[uma hora depois]
Estou na mesma página do jornal há sei lá quanto tempo. Recuso-me a tirar as mãos dos bolsos.
[uma hora e meia depois]
Isto é tortura. Só me apetece voltar para a minha cama. Nem sequer cheguei a sentir-lhe o gosto. Para variar, só dormi uma hora para conseguir acabar a apresentação. Mesmo vazia, nunca me pareceu tão atraente.
[uma hora e quarenta e cinco minutos depois]
Escusavam de dizer de dez em dez minutos que o comboio está atrasado sem dar mais informações relativamente à sua chegada. Fico toda empolgada cada vez que ouço «Informamos que o Alfa pendular…», estico-me toda para ver se o vejo, para, logo de seguida, me resignar ao frio e a um trocar de pernas.
[duas horas depois]
Dói-me o rabo de estar aqui sentada. Não tarda prevejo que a cabeça descaia sobre o ombro do rapaz ao meu lado que não conheço de lado nenhum.
[duas horas e quinze minutos depois]
É uma miragem; não, é um suburbano; não, parece mais um regional; não, é ele, é o Alfa para Braga.
Alívio; frio esquecido; rabo dolorido sarado que não sou de guardar rancores.
[no tão esperado comboio]
Juntaram os dois últimos Alfas num só. Isto não augura nada de bom.
Não, minha senhora, não estou enganada. Não é a carruagem 5, lugar 56? Pois. Eu peço desculpa de a estar a incomodar mas esse é de facto o meu lugar e, como vê, o comboio está cheio, senão não me importaria de trocar consigo. Ai as costas, ai a espondilose [é a patroa da menina?*]. Já não tenho idade para andar assim de um lado para o outro, daqui não saio. Claro, nem tem que sair. Onde está a minha educação? Eu sou jovem e a senhora alega a idade e a dificuldade de circulação - embora pareça consideravelmente nova, convenhamos. A senhora tem mesmo é que se sentar no primeiro lugar que encontra porque não lhe apetece procurar o seu. E eu tenho mais é que calar, pedir desculpa e ir procurar outro.
Estou quase, quase a dar em doida.
[à chegada ao Porto]
«Lamentamos informar que o Alfa com destino a Braga termina hoje, excepcionalmente, por aqui. Queira prosseguir a viagem no autocarro que se encontra no exterior, no largo da estação.»
Ah… só para terminar em beleza.
* Reminiscências de quando o Herman ainda estava no seu melhor.
Thursday, January 06, 2005
Por falar em "lealdade orgânica"
«Pessoalmente, estou farto das histórias do Dr. Cavaco Silva. Eu, se fosse a Direcção Nacional do PSD, punha mesmo os cartazes e o Dr. Cavaco Silva das duas uma: ou metia o PSD em Tribunal ou desfiliava-se do PSD, e também era um descanso para a gente, aqui, na Madeira.»
Declarações de Alberto João Jardim – claro – sobre a recusa do ex-PM em ter a sua fotografia nos outdoors da campanha eleitoral.
Declarações de Alberto João Jardim – claro – sobre a recusa do ex-PM em ter a sua fotografia nos outdoors da campanha eleitoral.
Tuesday, January 04, 2005
«Não batam mais no ceguinho»
Foi o que me ocorreu assim que li que Cavaco Silva tinha recusado a sua fotografia no dito cartaz e, logo de seguida, ouvi o “sermão televisivo” de Pôncio Monteiro.
Parece que a oposição está de férias para ficar.
[Tenho as minhas suspeitas que o Pacheco Pereira não terá pensado exactamente o mesmo que eu.]
Parece que a oposição está de férias para ficar.
[Tenho as minhas suspeitas que o Pacheco Pereira não terá pensado exactamente o mesmo que eu.]
Sunday, January 02, 2005
Saturday, January 01, 2005
E no primeiro dia do ano
Ligo a televisão quando chego a casa e está a dar aquele filme.
There's one thing I do know, and that is that I love you, Scarlett. In spite of you and me and the whole silly world going to pieces around us, I love you.
There's one thing I do know, and that is that I love you, Scarlett. In spite of you and me and the whole silly world going to pieces around us, I love you.
Friday, December 31, 2004
Um óptimo 2005
E, já agora, uma boa passagem de ano. Até para aqueles que a costumam passar debaixo da cama.
Do que eu mais gosto na blogosfera (I)
Os balanços de final do ano dos meus blogs favoritos, em termos de livros, músicas e filmes. Direitinhos para o meu bloco de notas.
Thursday, December 30, 2004
Superstições
- Tanguinha azul para o início de 2005? Nem pensar.
- Já viste a quantidade de funerais a que foste este ano? Deixa-te de pudores. Anda, vamos às compras.
E lá me deixei convencer. Várias voltas depois e prestes a ganhar juízo e desistir (estavam todas esgotadas porque afinal não é só a A. que tem esta paranóia que ela jura a pés juntos que resulta), lá consegui entrar na última loja de lingerie com a última tanguinha azul clarinha à venda para o ano novo.
A vendedora é simpática (demais) e mostra-me os vários modelos – boxer, cueca, asa delta… – antes de chegar à tão ansiada tanguinha. Enquanto me confirma que é uma bela compra – «são bonitas, macias e sexys» –, confidencia-me que também tem uma superstição: umas cuecas fio dental de renda vermelha, «mas comigo é para a noite da passagem de ano», diz com ar malicioso. Tive, de repente, um flash de como ela ficaria – a rapariga era… como hei-de dizer… assim pró grandita (e renda vermelha não é bem o meu género). Corei, contive o sorriso, chamei-me uns quantos nomes por me ter deixado levar, paguei e agradeci. «E se funciona», diz ela bem alto, quando eu já ia a sair.
Isto de começar o ano novo com a lingerie certa tem muito que se lhe diga.
- Já viste a quantidade de funerais a que foste este ano? Deixa-te de pudores. Anda, vamos às compras.
E lá me deixei convencer. Várias voltas depois e prestes a ganhar juízo e desistir (estavam todas esgotadas porque afinal não é só a A. que tem esta paranóia que ela jura a pés juntos que resulta), lá consegui entrar na última loja de lingerie com a última tanguinha azul clarinha à venda para o ano novo.
A vendedora é simpática (demais) e mostra-me os vários modelos – boxer, cueca, asa delta… – antes de chegar à tão ansiada tanguinha. Enquanto me confirma que é uma bela compra – «são bonitas, macias e sexys» –, confidencia-me que também tem uma superstição: umas cuecas fio dental de renda vermelha, «mas comigo é para a noite da passagem de ano», diz com ar malicioso. Tive, de repente, um flash de como ela ficaria – a rapariga era… como hei-de dizer… assim pró grandita (e renda vermelha não é bem o meu género). Corei, contive o sorriso, chamei-me uns quantos nomes por me ter deixado levar, paguei e agradeci. «E se funciona», diz ela bem alto, quando eu já ia a sair.
Isto de começar o ano novo com a lingerie certa tem muito que se lhe diga.
Wednesday, December 29, 2004
Amores Perros
O Natal passou-se de volta a casa dos pais. O nosso cão andou eufórico durante o fim-de-semana. No dia a seguir, quando regressei chez moi, não comeu o dia todo. Desconfio que será difícil encontrar um homem que faça uma greve de fome por mim.
Já tinha estranhado
Bate certo
«The Presidential Medal of Freedom is the Nation's highest civil award. It is awarded by the President of the United States to persons who have made especially meritorious contributions to the security or national interests of the United States, to world peace, or to cultural or other significant public or private endeavors.»
George W. Bush atribuiu-a, recentemente, a George Tenet, director da CIA aquando da decisão de intervir no Iraque; a Tommy Franks, que liderou a invasão militar e ficou encarregue da segurança no país; e a Paul Bremer, responsável pela ocupação.
George W. Bush atribuiu-a, recentemente, a George Tenet, director da CIA aquando da decisão de intervir no Iraque; a Tommy Franks, que liderou a invasão militar e ficou encarregue da segurança no país; e a Paul Bremer, responsável pela ocupação.
Sunday, December 26, 2004
Não querendo ser mazinha
Há certas mensagens nesta quadra para as quais não há explicação.
Sabendo que é com a melhor das intenções e correndo o risco de ser injusta, aquelas demasiado elaboradas e “profundas” levam-me as mãos à cabeça; decididamente, entre um extremo e o outro, prefiro o género mais básico que circulou este ano: «Bom Natal, pá».
Sabendo que é com a melhor das intenções e correndo o risco de ser injusta, aquelas demasiado elaboradas e “profundas” levam-me as mãos à cabeça; decididamente, entre um extremo e o outro, prefiro o género mais básico que circulou este ano: «Bom Natal, pá».
Tenho uma lágrima no canto do olho
«Na política também pode haver Natal.»
Diz Santana Lopes, no seu discurso para este dia. Que profundo.
Diz Santana Lopes, no seu discurso para este dia. Que profundo.
Saturday, December 25, 2004
O Natal dos Hospitais para alguns
Doentes internados que pedem para lhes ser adiada a alta, sabendo de antemão que as respectivas famílias não os virão buscar; doentes que surgem dia 24, invocando uma “dor não identificada”, apenas para não passarem o Natal sozinhos.
Friday, December 24, 2004
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