Não é propriamente difícil achar o Miguel Esteves Cardoso brilhante, independentemente das divergências quanto à sua posição na hierarquia dos melhores escritores portugueses. Mas mais do que achá-lo genial, eu confesso que tenho desde há muito um carinho especial por ele. Foi por causa de um livro do Miguel Esteves Cardoso que descobri, quando era mais miúda, que sexo oral afinal não era “talk dirty”. A surpreendente descoberta vale o que vale mas, na altura, deu origem a uma das melhores conversas com as minhas amigas de que tenho memória e o livro passou de mão em mão.
Há influências que merecem reconhecimento. Acho que é a isto que a Carla se refere.
Monday, January 23, 2006
Rescaldo das eleições
A candidatura de Mário Soares era, de longe, a melhor opção de entre as que se apresentaram, mesmo que eu tenha tido alguma dificuldade em aceitá-la inicialmente e nunca tenha chegado a conquistar totalmente o meu alento de cidadã. Senti, por isso, a estrondosa derrota como particularmente injusta, em especial tendo em conta os dois grandes vencedores da noite.
O voto em Jerónimo de Sousa não me surpreendeu: o líder é carismático e consegue ocultar de uma forma extraordinária o lado mais ortodoxo que representa. Naquela série de entrevistas mais intimistas da SIC, o candidato do PCP mostrou bem de onde surge e como se constrói o grande apelativo que, na actual conjuntura, lhe tem dado os frutos das três últimas eleições. O resultado do Bloco de Esquerda, por outro lado, não fez jus ao desempenho do candidato mais bem preparado desta corrida eleitoral. Não me parece, porém, que deva ser encarado com grandes dramatismos: o combate era bastante difícil e os arautos do “fim da novidade do BE” reflectem mais um “wishful thinking” do que uma análise fundamentada do panorama político nacional.
De facto, o mais interessante destas eleições foi, como já todos os analistas têm dito, o voto “contra o sistema” que une Cavaco Silva e Manuel Alegre. Que o centro-direita, assim como a direita ideológica, à falta de candidato próprio, vote Cavaco não me espanta. [Embora, por instantes, ainda tivesse acreditado que a abstenção dos indecisos de direita (induzidos pelas sondagens e convencidos da fácil vitória do Cavaco sem a necessidade do seu voto) fosse suficiente para obrigar a uma segunda volta – o que, por pouco, não se verificou.] Da mesma forma que o voto em Alegre por parte de quem pertence à área socialista mas discordava vivamente da orientação da direcção do PS não me parece totalmente deslocado – apesar da prestação deste candidato ter sido a grande decepção das presidenciais.
Todavia, enquanto voto “contra o sistema”, o voto em Cavaco Silva, supostamente apolítico e supra-partidário, tal como o voto em Manuel Alegre, supostamente movimento de cidadania, é uma fraude. Um por mais que se queira distanciar não deixa de ser ex-Primeiro Ministro e líder partidário e, por mais que se esforçasse por minimizar, era apoiado por duas máquinas partidárias. O outro só passa a achar que «há mais espaço para além dos partidos» quando aquele onde sempre esteve e do qual vive até hoje o preteriu. A sua hesitação em avançar após a candidatura de Soares não foi por não querer dividir o partido, foi porque receava não o conseguir fazer. Assim que as sondagens lhe garantiram que tinha essa margem de manobra, as dúvidas dissiparam-se.
O falacioso discurso que ambos utilizaram encontrou eco junto de uma parte significativa do eleitorado, o que exige uma profunda reflexão. Assim de repente ocorre-me que, dados os resultados eleitorais, o oportunismo político compensa. Mas pode ser da neura.
O voto em Jerónimo de Sousa não me surpreendeu: o líder é carismático e consegue ocultar de uma forma extraordinária o lado mais ortodoxo que representa. Naquela série de entrevistas mais intimistas da SIC, o candidato do PCP mostrou bem de onde surge e como se constrói o grande apelativo que, na actual conjuntura, lhe tem dado os frutos das três últimas eleições. O resultado do Bloco de Esquerda, por outro lado, não fez jus ao desempenho do candidato mais bem preparado desta corrida eleitoral. Não me parece, porém, que deva ser encarado com grandes dramatismos: o combate era bastante difícil e os arautos do “fim da novidade do BE” reflectem mais um “wishful thinking” do que uma análise fundamentada do panorama político nacional.
De facto, o mais interessante destas eleições foi, como já todos os analistas têm dito, o voto “contra o sistema” que une Cavaco Silva e Manuel Alegre. Que o centro-direita, assim como a direita ideológica, à falta de candidato próprio, vote Cavaco não me espanta. [Embora, por instantes, ainda tivesse acreditado que a abstenção dos indecisos de direita (induzidos pelas sondagens e convencidos da fácil vitória do Cavaco sem a necessidade do seu voto) fosse suficiente para obrigar a uma segunda volta – o que, por pouco, não se verificou.] Da mesma forma que o voto em Alegre por parte de quem pertence à área socialista mas discordava vivamente da orientação da direcção do PS não me parece totalmente deslocado – apesar da prestação deste candidato ter sido a grande decepção das presidenciais.
Todavia, enquanto voto “contra o sistema”, o voto em Cavaco Silva, supostamente apolítico e supra-partidário, tal como o voto em Manuel Alegre, supostamente movimento de cidadania, é uma fraude. Um por mais que se queira distanciar não deixa de ser ex-Primeiro Ministro e líder partidário e, por mais que se esforçasse por minimizar, era apoiado por duas máquinas partidárias. O outro só passa a achar que «há mais espaço para além dos partidos» quando aquele onde sempre esteve e do qual vive até hoje o preteriu. A sua hesitação em avançar após a candidatura de Soares não foi por não querer dividir o partido, foi porque receava não o conseguir fazer. Assim que as sondagens lhe garantiram que tinha essa margem de manobra, as dúvidas dissiparam-se.
O falacioso discurso que ambos utilizaram encontrou eco junto de uma parte significativa do eleitorado, o que exige uma profunda reflexão. Assim de repente ocorre-me que, dados os resultados eleitorais, o oportunismo político compensa. Mas pode ser da neura.
Saturday, January 14, 2006
Um post mais ou menos político *
A família do A. dá-se bastante bem. Gostam muito uns dos outros, não têm feitios demasiado incompatíveis e, tirando uma ou outra zanga familiar mais normal, em regra é uma alegria ir lá jantar.
Excepto em altura de eleições.
Mãe, Pai e filho são PCP ferrenhos. Lá em casa celebra-se com ardor o 1º de Maio e o 25 de Abril de cravo na lapela. Todos os anos, sem esquecimentos. No entanto, a avó, de há um bom tempo para cá, destoa de forma flagrante. Mais concretamente, desde 1985. Ainda mais concretamente, desde que pôs os olhos em cima do Cavaco Silva.
Foi uma espécie de amor à primeira vista, mas revisitado. Diz ela, muito convictamente, que ele se parece com o seu falecido marido. E o raciocínio prossegue mais ou menos assim: parecido com o marido – marido boa pessoa – Cavaco necessariamente boa pessoa – boa pessoa dá bom primeiro-ministro – em eleições, votar Cavaco – votar Cavaco é votar PSD – e, a partir daí, nunca mais votar noutro partido.
A restante família, indignada, começou por apelar à razão: não se vota num partido porque o líder ou ex-líder se parece com alguém de quem gostamos. Ao que se seguiram inúmeras e extenuantes tentativas de endoutrinação. Escusado será dizer que não funcionou.
O desespero aumentava, esqueceu-se a racionalidade e passou-se a apelar à estética: não é nada parecido com o pai, sogro e avô – isso, aliás, até é um insulto. Mas a estética não se discute e ela tinha mais autoridade do que qualquer outro membro da família para dizer se o Cavaco era ou não parecido com o marido de tantos anos. No meio das discussões levantava-se e ia buscar fotografias para provar a sua convicção.
Inicialmente a discussão ressurgia sempre que havia campanhas eleitorais. Os mesmos argumentos, a mesma resposta, a mesma intenção de voto. Progressivamente a família foi-se dando por vencida e parou de chatear incessantemente a senhora. Agora mandava bocas para o ar e troçava da ignorância. A avó, impávida e serena, fazia-se de despercebida e lá punha a cruz no mesmo sítio de sempre.
O potencial fracturante destas eleições presidenciais foi entendido por todos. Os nervos estão à flor da pele mas, desta vez, lá em casa, não há discussões nem comentários maldosos. Não se toca no assunto e assobia-se para o ar durante o telejornal. Volta-se do comício como se se voltasse do café. Descarrega-se tudo lá fora e entra-se para jantar com um sorriso amarelo. No dia 23, reconciliam-se e voltam a ser uma família normal.
* Dedicado ao Super Mário, em jeito de agradecimento pelo link. (Estamos no mesmo barco. Embora eu esteja mais como peso morto e vocês a remar, confesso.)
Excepto em altura de eleições.
Mãe, Pai e filho são PCP ferrenhos. Lá em casa celebra-se com ardor o 1º de Maio e o 25 de Abril de cravo na lapela. Todos os anos, sem esquecimentos. No entanto, a avó, de há um bom tempo para cá, destoa de forma flagrante. Mais concretamente, desde 1985. Ainda mais concretamente, desde que pôs os olhos em cima do Cavaco Silva.
Foi uma espécie de amor à primeira vista, mas revisitado. Diz ela, muito convictamente, que ele se parece com o seu falecido marido. E o raciocínio prossegue mais ou menos assim: parecido com o marido – marido boa pessoa – Cavaco necessariamente boa pessoa – boa pessoa dá bom primeiro-ministro – em eleições, votar Cavaco – votar Cavaco é votar PSD – e, a partir daí, nunca mais votar noutro partido.
A restante família, indignada, começou por apelar à razão: não se vota num partido porque o líder ou ex-líder se parece com alguém de quem gostamos. Ao que se seguiram inúmeras e extenuantes tentativas de endoutrinação. Escusado será dizer que não funcionou.
O desespero aumentava, esqueceu-se a racionalidade e passou-se a apelar à estética: não é nada parecido com o pai, sogro e avô – isso, aliás, até é um insulto. Mas a estética não se discute e ela tinha mais autoridade do que qualquer outro membro da família para dizer se o Cavaco era ou não parecido com o marido de tantos anos. No meio das discussões levantava-se e ia buscar fotografias para provar a sua convicção.
Inicialmente a discussão ressurgia sempre que havia campanhas eleitorais. Os mesmos argumentos, a mesma resposta, a mesma intenção de voto. Progressivamente a família foi-se dando por vencida e parou de chatear incessantemente a senhora. Agora mandava bocas para o ar e troçava da ignorância. A avó, impávida e serena, fazia-se de despercebida e lá punha a cruz no mesmo sítio de sempre.
O potencial fracturante destas eleições presidenciais foi entendido por todos. Os nervos estão à flor da pele mas, desta vez, lá em casa, não há discussões nem comentários maldosos. Não se toca no assunto e assobia-se para o ar durante o telejornal. Volta-se do comício como se se voltasse do café. Descarrega-se tudo lá fora e entra-se para jantar com um sorriso amarelo. No dia 23, reconciliam-se e voltam a ser uma família normal.
* Dedicado ao Super Mário, em jeito de agradecimento pelo link. (Estamos no mesmo barco. Embora eu esteja mais como peso morto e vocês a remar, confesso.)
Monday, December 26, 2005
Da beleza dos padres *
Um padre quer-se de boa aparência mas não demasiado bonito.
Do ponto de vista teológico, esta necessidade não fará propriamente sentido mas, como em tudo, a beleza também não fica à porta da Igreja. É sabido que as mulheres sempre comentaram o aspecto físico dos padres. E a verdade é que estamos mal habituadas, basta repararmos nas imagens ou nos filmes bíblicos. Por outras palavras, não é só a Maria Madalena que é representada pela Monica Belluci: Jesus Cristo é invariavelmente um belo homem. Como se a fealdade pudesse conspurcar de alguma forma a sua pureza ou, pior ainda, decepcionar as devotas. Não sei como é nas outras religiões mas, na Católica, os Jesuítas sempre venceram – e com louvor – esta mais ou menos saudável competição entre ordens. (Não é por isso que é a minha ordem de eleição; sendo, porém, uma agradável coincidência.)
No entanto, um padre demasiado bonito torna-se problemático. Durante a missa desconcentra e depois da missa culpabiliza. Um amigo meu diz-me que, durante o noviciado, os futuros sacerdotes debatem e aprendem a lidar com mulheres que se apaixonam ou que julgam estar apaixonadas por eles – parece ser um fenómeno recorrente. Um padre muito bonito será, sem dúvida, um difícil desafio mas, convenhamos, como cartão de visita…
* Este post tem dupla inspiração: a Missa do Galo de ontem e este post – magnífico, como sempre – da Ana Sá Lopes.
Do ponto de vista teológico, esta necessidade não fará propriamente sentido mas, como em tudo, a beleza também não fica à porta da Igreja. É sabido que as mulheres sempre comentaram o aspecto físico dos padres. E a verdade é que estamos mal habituadas, basta repararmos nas imagens ou nos filmes bíblicos. Por outras palavras, não é só a Maria Madalena que é representada pela Monica Belluci: Jesus Cristo é invariavelmente um belo homem. Como se a fealdade pudesse conspurcar de alguma forma a sua pureza ou, pior ainda, decepcionar as devotas. Não sei como é nas outras religiões mas, na Católica, os Jesuítas sempre venceram – e com louvor – esta mais ou menos saudável competição entre ordens. (Não é por isso que é a minha ordem de eleição; sendo, porém, uma agradável coincidência.)
No entanto, um padre demasiado bonito torna-se problemático. Durante a missa desconcentra e depois da missa culpabiliza. Um amigo meu diz-me que, durante o noviciado, os futuros sacerdotes debatem e aprendem a lidar com mulheres que se apaixonam ou que julgam estar apaixonadas por eles – parece ser um fenómeno recorrente. Um padre muito bonito será, sem dúvida, um difícil desafio mas, convenhamos, como cartão de visita…
* Este post tem dupla inspiração: a Missa do Galo de ontem e este post – magnífico, como sempre – da Ana Sá Lopes.
Já sei onde é que eles andam
Na Missa do Galo de ontem, um grupo de jovens rapazes captou a atenção de todos e, especialmente, de todas. A presença de um número invulgar de noviços alegrava a Igreja. Alegrava, contudo, um bocadinho demais. Nomeadamente aquele que fazia lembrar o Gael – que tentação, meu Deus. A minha alma católica ficou dividida. Ninguém concorda mais do que eu que a Igreja precisa, desesperadamente, de sangue novo. Mas é caso para dizer que não havia necessidade de serem tão bonitos.
Já não bastava os giros e bons rapazes serem casados ou gays, agora também vão para padres. As categorias de inatingíveis não param de aumentar.
Já não bastava os giros e bons rapazes serem casados ou gays, agora também vão para padres. As categorias de inatingíveis não param de aumentar.
Saturday, December 24, 2005
Leitura indispensável nesta quadra
«O Natal na infância vive em todos os natais, embora estes sejam vividos de outra maneira. Mas há algo que se mantém: o secretismo em torno dos presentes. (…) Trata-se de um exercício de manipulação amorosa, de diversão no seu estado mais puro; enfim, um acto de cuidado, atenção e amor. (…) Um bom segredo não se fecha numa gaveta qualquer e pronto. Tem de se levar, buscar, trazer, dá uma carga de trabalhos e é por isso que dar um presente a alguém é um acto de amor. Não é dar simplesmente.»
[Bomba Inteligente, O Segredo]
(Até porque já chateia um bocadinho aquela coisa do «detesto o Natal»)
[Bomba Inteligente, O Segredo]
(Até porque já chateia um bocadinho aquela coisa do «detesto o Natal»)
Boas festas
Este mês foi um bocado caótico em termos de trabalho. E eu também sou famosa por deixar tudo para a última da hora, verdade seja dita. As actualizações (guardadas no meu caderno) ficam para quando eu conseguir ter um tempinho - o que neste interregno a que as pessoas insistem em chamar de “férias” não vai acontecer de certeza. Resta-me, por isso, desejar-vos um feliz Natal. Ainda cá venho para os votos de ano novo.
Saturday, November 26, 2005
Segredo para acabar com as noites mal dormidas
Sunday, November 20, 2005
Querido diário
Como é que é? Isto agora vai ser o Pai Nosso de cada dia? Noites mal dormidas, completo zombie no trabalho, olheiras do tamanho de sei lá o quê… É que quando se tem um «cavalheiro rico, bem parecido, com alma de poeta, cabeça de filósofo e coração de manteiga» (excelente síntese, by the way) para nos abraçar a noite toda, os temporais até têm alguma piada. Agora assim… não há lareira, cobertor ou luz acesa que aguente. Convinha que voltássemos ao nosso tempinho tradicional – muita chuva miudinha e uma brisa, nada de furacões. E até lá se calhar o melhor é arranjar uns tampõezinhos para os ouvidos, não?
Saturday, November 19, 2005
Tuesday, November 15, 2005
Mais uma história mínima
[versão Gato Fedorento]
«Era uma vez um rapaz que perguntou a uma rapariga:
– Queres casar comigo?
Ela respondeu:
– O que tu queres sei eu.»
«Era uma vez um rapaz que perguntou a uma rapariga:
– Queres casar comigo?
Ela respondeu:
– O que tu queres sei eu.»
Saturday, November 12, 2005
Thursday, November 10, 2005
Blog zapping (19)
«Quando me casei tive mais um mês de férias que a minha mulher e gravei dois discos. Ficou nesse período selado que se a música não servia para o meu sucesso então integraria o meu mais credível fracasso.»
[Tiago Cavaco, Lamento publicitário]
[Tiago Cavaco, Lamento publicitário]
Sunday, November 06, 2005
Paris in flames: the limits of repression
«Repression has shown its limits. Not that it is useless or harmful, as any government has to protect its citizens against crime. But a repressive policy cannot compensate for racial and social integration, nor offer an answer to discrimination, the housing problems of ghettoised suburbs and (above all) to the unemployment which hits the immigrant population even harder than the majority of job-seekers. Histrionic posturing to attract voters in pre-electoral times can cause more harm than good especially when the very social structure of France is at stake.»
[Patrice de Beer]
[Patrice de Beer]
Saturday, November 05, 2005
Sensibilidade de género
Nos avisos dos maços de tabaco, os homens não querem ler que causa impotência; as mulheres que provoca o envelhecimento da pele.
Thursday, November 03, 2005
The simpsons
- Oh Marge, you must hate me for failing.
- Oh Homie, I don’t hate you for failing. I love you for trying.
- Oh Homie, I don’t hate you for failing. I love you for trying.
Tuesday, November 01, 2005
Monday, October 31, 2005
Dividir para reinar
O maradona é um blogger com uma causa. Com a particularidade da sua causa excluir todas as outras. Deve ser por isso - e for the sake of his argument - que está convencido que as alterações climáticas não afectam os belíssimos animais que expõe, com regularidade e para nosso gáudio, no seu blogue.
[Entretanto o maradona trocou-me as voltas ao desaparecer com o belo Leopardo-das-neves(-derretidas) e o respectivo texto que o acompanhava e agora ninguém percebe nada deste post.]
[Entretanto o maradona trocou-me as voltas ao desaparecer com o belo Leopardo-das-neves(-derretidas) e o respectivo texto que o acompanhava e agora ninguém percebe nada deste post.]
Thursday, October 27, 2005
Querido diário
Hoje não dormi nada bem. Viver nas alturas dá direito a uma vista desafogada mas torna-se demasiado vulnerável a ciclones e intempéries. Não preguei olho a noite inteira com o vento a estoirar-se contra as persianas, as portas a competirem para ver quem batia com mais força e aquele vvuuuuuuuu…vvuuuuuuuu assustador que vidro duplo nenhum consegue anular.
Passei a noite toda encolhidinha na cama, a luz acesa e o edredon por cima da cabeça. E acordei a pensar na falta que faz um homem em casa.
Ou um cão.
Passei a noite toda encolhidinha na cama, a luz acesa e o edredon por cima da cabeça. E acordei a pensar na falta que faz um homem em casa.
Ou um cão.
Monday, October 24, 2005
O princípio do fim
O J. foi promovido e mudou de gabinete. Como o J. partilhava o gabinete com o L., o L. ficou momentaneamente sozinho. Digo momentaneamente porque a I., mulher do L. que também trabalha connosco, não deixou que passassem nem 24 horas para se mudar para o gabinete do seu amado. Empurrou toda a tralha do J. para um canto do gabinete – não fosse ele demorar demasiado tempo a ir buscá-la – e tratou de ocupar a sua secretária, as estantes e o cabide. Agora sim o seu sonho está cumprido: passa as 24 horas do dia colada ao seu marido. Que lindos momentos se devem passar dentro daquelas quatro paredes. Querido, passas-me o furador? [enjoo] Pitéuzinho, hoje quando sairmos daqui vamos juntos ao supermercado antes de irmos para casa. [vómitos] Amor, quem era aquela mulher ao telefone? [o princípio do fim]
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