Estou mortinha por rever as minhas bifinhas, com os seus tank tops a dizer “England”, as suas micro-saias e sandalocas de 10 cm, bastante bebidas, a passearem-se pelas ruas de Portugal.
Sunday, May 09, 2004
Aguarela a preto e branco
Fui hoje pela primeira vez a um dos estádios do Euro, mais precisamente ao de Coimbra, ver a Académica conseguir a proeza de se manter na primeira divisão. Eu gosto de ir à bola mas, por mil e uma razões, já não ia há uns tempos. Redimi-me e, para me fazer ver que deveria reincidir, tive um bónus: literalmente para variar, a equipa pela qual eu estava a torcer in loco venceu. E, ainda por cima, por 4-1. (A briosa hoje estava louca.)
A frase do jogo foi, sem dúvida, “Por favor não invadam o campo. Vamos fazer uma festa bonita, bonita lá fora.” Foi repetida várias vezes mas o pedido só se tornou verdadeiramente convincente quando faltavam aí uns quinze minutos para acabar o jogo e começam a entrar os polícias de choque com cães e ar ameaçador, em número considerável, especialmente de frente para a Mancha Negra. As assobiadelas ecoaram por todo o estádio mas, de facto, o efeito de dissuasão resultou – os meninos não se entusiasmaram em demasia e o final da festa não deu para o torto.
Estamo-nos a preparar para o Euro.
A frase do jogo foi, sem dúvida, “Por favor não invadam o campo. Vamos fazer uma festa bonita, bonita lá fora.” Foi repetida várias vezes mas o pedido só se tornou verdadeiramente convincente quando faltavam aí uns quinze minutos para acabar o jogo e começam a entrar os polícias de choque com cães e ar ameaçador, em número considerável, especialmente de frente para a Mancha Negra. As assobiadelas ecoaram por todo o estádio mas, de facto, o efeito de dissuasão resultou – os meninos não se entusiasmaram em demasia e o final da festa não deu para o torto.
Estamo-nos a preparar para o Euro.
Saturday, May 08, 2004
Perfeição na simultaneidade?
«(…) não tenho a certeza de que a descoberta do amor seja forçosamente mais deliciosa que a da poesia.»
[Marguerite Yourcenar, 2002 (1974), As memórias de Adriano. Lisboa: Ulisseia, p.34]
[Marguerite Yourcenar, 2002 (1974), As memórias de Adriano. Lisboa: Ulisseia, p.34]
Friday, May 07, 2004
Estalinismo romântico
Li o brilhante post do Luís Filipe Borges sobre o facto de José Saramago ter expurgado, num acto simbólico, as outras mulheres da sua vida e dei por mim – inadvertidamente – a esboçar um sorriso.
Não é que concorde. Racionalmente, não me parece fazer grande sentido apagar o que já foi nosso. Para além disso, o saudável seria não ter ciúmes de um passado que não nos pertence*. Mesmo assim sorri. Sem dúvida por me ter soado a prova de amor. Ainda que obsessiva.
[Logo a seguir vi o comentário (cientificamente reconhecido) do Filipe Nunes Vicente e fiquei preocupada.]
* Se não me engano, retive esta frase quando li o Frei Luís de Sousa de Almeida Garrett, aí pelo meu 7º ano. Retive-a na altura e vem-me à cabeça sempre que se conjuga paixões antigas com ciúmes. Mas agora tendo a considerá-la falaciosa. Se o passado necessariamente nos compõe, nos altera, nos influencia, como é possível que não pertença também a todos os que fazem parte do nosso presente?
Não é que concorde. Racionalmente, não me parece fazer grande sentido apagar o que já foi nosso. Para além disso, o saudável seria não ter ciúmes de um passado que não nos pertence*. Mesmo assim sorri. Sem dúvida por me ter soado a prova de amor. Ainda que obsessiva.
[Logo a seguir vi o comentário (cientificamente reconhecido) do Filipe Nunes Vicente e fiquei preocupada.]
* Se não me engano, retive esta frase quando li o Frei Luís de Sousa de Almeida Garrett, aí pelo meu 7º ano. Retive-a na altura e vem-me à cabeça sempre que se conjuga paixões antigas com ciúmes. Mas agora tendo a considerá-la falaciosa. Se o passado necessariamente nos compõe, nos altera, nos influencia, como é possível que não pertença também a todos os que fazem parte do nosso presente?
Thursday, May 06, 2004
Wednesday, May 05, 2004
Birthday Reminder
Recebi um mail, de livre e espontânea vontade, do Birthday Alarm.com a avisar que hoje, 5 de Maio, se celebra a data de nascimento de Karl Marx.
Importam-se de fazer forward?
Importam-se de fazer forward?
«Fechamo-nos em casa a recuperar o tempo perdido»
Respondeu a Raquel Cruz há uns bons meses atrás, numa das dezenas de entrevistas que deu - já nem sei onde -, quando lhe perguntaram o que faria assim que o marido fosse libertado.
[Foi a primeira coisa que me ocorreu quando soube da novidade. Que obsessão a minha, bolas]
[Foi a primeira coisa que me ocorreu quando soube da novidade. Que obsessão a minha, bolas]
Tuesday, May 04, 2004
comentários solidários
Do meu ex-namorado (de cinco anos):
- A sério? Já viste, estás como aquela música do Chico:
"A cachaça
Está parada
Rejeitada
No Barril"
- A sério? Já viste, estás como aquela música do Chico:
"A cachaça
Está parada
Rejeitada
No Barril"
Monday, May 03, 2004
Deprê
Hoje, quando cheguei a casa, tinha uma carta onde me informavam que não tinha sido seleccionada para um curso no estrangeiro a que me tinha candidatado. Já tinha passado as primeiras duas fases de eliminatória e estava plenamente convencida que a terceira era meramente administrativa, dado que não tinha tido que prestar mais provas desde então. Foi um belo banho de água fria. Gelada, mesmo.
Vou beber um chocolate quente e vou para a cama para não ter que lidar com a rejeição.
I’ll think about it tomorrow.
Vou beber um chocolate quente e vou para a cama para não ter que lidar com a rejeição.
I’ll think about it tomorrow.
Sunday, May 02, 2004
Lamechices
Desculpem lá esta lamechice toda do dia da Mãe. Saí de casa há pouco tempo. O que era para ser um único post tornou-se neste monstro de lembranças (a que não foi alheio o almoço em família comigo a protagonizar o bobo da corte).
Acho que devia ter chamado este blog de “mimada.blogspot”… (humm, there’s an idea)
Acho que devia ter chamado este blog de “mimada.blogspot”… (humm, there’s an idea)
Pestinha
Quando era bem miúda e discutíamos, escrevia-lhe bilhetinhos a explicar o quanto me tinha magoado, evitava utilizar a palavra “Mãe” e passava a tratá-la por você – para manter as distâncias, claro.
A verdade é que nunca durava muito, porque não conseguia ficar mais do que umas horinhas amuada e adorava fazer as pazes. Ainda é assim.
A verdade é que nunca durava muito, porque não conseguia ficar mais do que umas horinhas amuada e adorava fazer as pazes. Ainda é assim.
Mãe
Tem o dom de me conseguir exasperar com pequenos detalhes. A minha irmã já conseguiu aprender a lidar com ela. Quando a chateia, para não entrar em discussões, ignora, finge que não ouve. Eu não consigo. Tenho as emoções muito mais à flor da pele. Sempre tive. Para o bem e para o mal. Com a distância as coisas melhoram, obviamente. Os tais detalhes exasperantes do quotidiano não atrapalham tanto, não enchem o copo tão depressa.
E olhando para trás, esteve sempre comigo, ao meu lado, por mim. Quando saí de casa disse-me que as portas estavam sempre abertas. Como tinham estado sempre, mesmo quando as lágrimas teimavam em não me deixar ver.
E olhando para trás, esteve sempre comigo, ao meu lado, por mim. Quando saí de casa disse-me que as portas estavam sempre abertas. Como tinham estado sempre, mesmo quando as lágrimas teimavam em não me deixar ver.
Saturday, May 01, 2004
PoWs e a superioridade moral do ocidente
As imagens do tratamento desumano e as condições degradantes nas prisões iraquianas que nos entraram pela televisão a dentro nos últimos dias, a juntar às suspeitas de não se tratarem, segundo a Amnistia Internacional, de casos isolados, são chocantes. Mostram-nos cruamente uma ocupação que se pauta pelo mais elementar desrespeito pelos direitos humanos e dignidade daqueles que se propôs “libertar”. São consideradas humilhações não só para os iraquianos como para todos os árabes e servem justamente os propósitos de Al-Qaedas e afins.
A ideia que grande parte do mundo fazia da ocupação vinha irreversivelmente a tender para a repulsa. Mas, mais do que um número inaceitável de mortes civis que rapidamente se tornam estatísticas, custa ver pirâmides humanas de corpos nus causadas por exércitos que, ainda assim, se deveriam reger pelos padrões que temos como correctos. A justificação dos danos colaterais fica irremediavelmente posta de parte e a linguagem desculpabilizadora dos “excessos” é moralmente incómoda.
Frases como “I didn't like it one bit” não chegam para restabelecer qualquer espécie de legitimidade que alguns acreditaram ter chegado a existir. Tudo isto é um contributo repugnante para a percepção que a maioria já partilha de que a ocupação está a fugir de controlo e que a concretização dos objectivos invocados – neste caso, em especial os “humanitários” e da criação de uma democracia – estão cada vez mais longínquos. Independentemente da posição que cada um tem sobre a guerra, esta verdade já não dá para escamotear.
A ideia que grande parte do mundo fazia da ocupação vinha irreversivelmente a tender para a repulsa. Mas, mais do que um número inaceitável de mortes civis que rapidamente se tornam estatísticas, custa ver pirâmides humanas de corpos nus causadas por exércitos que, ainda assim, se deveriam reger pelos padrões que temos como correctos. A justificação dos danos colaterais fica irremediavelmente posta de parte e a linguagem desculpabilizadora dos “excessos” é moralmente incómoda.
Frases como “I didn't like it one bit” não chegam para restabelecer qualquer espécie de legitimidade que alguns acreditaram ter chegado a existir. Tudo isto é um contributo repugnante para a percepção que a maioria já partilha de que a ocupação está a fugir de controlo e que a concretização dos objectivos invocados – neste caso, em especial os “humanitários” e da criação de uma democracia – estão cada vez mais longínquos. Independentemente da posição que cada um tem sobre a guerra, esta verdade já não dá para escamotear.
So in love
Strange dear, but true dear
When I'm close to you, dear
The stars fill the sky
So in love with you am I
Even without you
My arms fold about you
You know darling why
So in love with you am I
In love with the night mysterious
The night when you first were there
In love with my joy delirious,
When I knew that you could care
So taunt me, and hurt me
Deceive me, desert me
I'm yours, till I die
So in love, so in love
So in love with you, my love, am I
Voltei a ouvir esta canção com o Foreign Sound do Caetano. Trouxe de volta aquelas memórias com som, cheiro e tudo o resto. É imperdoável, tinha-me quase esquecido dela. Já não a ouvia há muito tempo, desde que fiz uma colectânea de músicas deste género para o meu namorado de então quando estava a estudar fora. Sou o que eu própria não tenho pejo em chamar de estupidamente romântica. Mas não foi tão foleiro quanto soa (e se foi também não interessa nada). Representou, na altura, um dos muitos gestos essenciais para sobrevivermos à distância. E que bem acompanhados estávamos.
When I'm close to you, dear
The stars fill the sky
So in love with you am I
Even without you
My arms fold about you
You know darling why
So in love with you am I
In love with the night mysterious
The night when you first were there
In love with my joy delirious,
When I knew that you could care
So taunt me, and hurt me
Deceive me, desert me
I'm yours, till I die
So in love, so in love
So in love with you, my love, am I
Voltei a ouvir esta canção com o Foreign Sound do Caetano. Trouxe de volta aquelas memórias com som, cheiro e tudo o resto. É imperdoável, tinha-me quase esquecido dela. Já não a ouvia há muito tempo, desde que fiz uma colectânea de músicas deste género para o meu namorado de então quando estava a estudar fora. Sou o que eu própria não tenho pejo em chamar de estupidamente romântica. Mas não foi tão foleiro quanto soa (e se foi também não interessa nada). Representou, na altura, um dos muitos gestos essenciais para sobrevivermos à distância. E que bem acompanhados estávamos.
Eternity
Algo me diz que não sou a única a ficar subtilmente comovida com o anúncio da Calvin Klein.
Poesia
«A verdadeira poesia não é a que elimina a dor, mas a que lhe dá sentido.»
[Eduardo Prado Coelho, Público, 27 Abril 2004]
[Eduardo Prado Coelho, Público, 27 Abril 2004]
Pedido de principiante
Querida Bomba,
“Confessar” é demasiado importante. Para além de necessitarmos de um verbo que – precisamente como refere – é dito sem hesitações, admitir soa sempre a algo contrariado, coagido. Confessar é espontâneo, é entrega. Só dá para dizer “confesso que estou perdidamente apaixonada”. Seria uma pena expurgá-lo do uso corrente. E se a bomba o fizer, eu, como leitora dedicada, vou ter que obedecer. Que tal um compromisso? Podemos, ao menos, não o abandonar nestas circunstâncias? παρακαλώ.
“Confessar” é demasiado importante. Para além de necessitarmos de um verbo que – precisamente como refere – é dito sem hesitações, admitir soa sempre a algo contrariado, coagido. Confessar é espontâneo, é entrega. Só dá para dizer “confesso que estou perdidamente apaixonada”. Seria uma pena expurgá-lo do uso corrente. E se a bomba o fizer, eu, como leitora dedicada, vou ter que obedecer. Que tal um compromisso? Podemos, ao menos, não o abandonar nestas circunstâncias? παρακαλώ.
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