[Ok, bate certo. Concedo que diante deste mulheraço – que, por acaso, faz hoje 35 anos – não seja particularmente relevante se ela é ou não inteligente.]
Thursday, September 30, 2004
Protótipos de mulheres II (com direito a foto)
[Título alternativo: L’essenziale é invisibile agli occhi… ma anche l’occhio vuole la sua parte!]
[Ok, bate certo. Concedo que diante deste mulheraço – que, por acaso, faz hoje 35 anos – não seja particularmente relevante se ela é ou não inteligente.]
[Ok, bate certo. Concedo que diante deste mulheraço – que, por acaso, faz hoje 35 anos – não seja particularmente relevante se ela é ou não inteligente.]
Wednesday, September 29, 2004
Protótipos de mulheres
- Eu acho óptimo que tu sejas selectivo, mas não achas que começas a exagerar? Diz lá quem é que te encheria as medidas.
- Três atributos físicos por cada um de personalidade.
- Explica-te.
- Carinhosa – bom rabo, boas mamas, boas pernas;
Inteligente – bonita, sensual, pele macia;
Sentido de humor – lábios provocantes, pescoço atraente, costas que dão vontade de tocar.
- Por que não ao contrário? Por que privilegias atributos que daqui a cinco ou dez anos já serão sinónimos de rugas, flacidez e celulite, em detrimento da inteligência, doçura ou sentido de humor que a acompanharão para o resto da vida?
- Xiiiiuuuu… não me distraias. Está caladinha um bocadinho, sim?
- Três atributos físicos por cada um de personalidade.
- Explica-te.
- Carinhosa – bom rabo, boas mamas, boas pernas;
Inteligente – bonita, sensual, pele macia;
Sentido de humor – lábios provocantes, pescoço atraente, costas que dão vontade de tocar.
- Por que não ao contrário? Por que privilegias atributos que daqui a cinco ou dez anos já serão sinónimos de rugas, flacidez e celulite, em detrimento da inteligência, doçura ou sentido de humor que a acompanharão para o resto da vida?
- Xiiiiuuuu… não me distraias. Está caladinha um bocadinho, sim?
Monday, September 27, 2004
Uma pequena dúvida
O que se passará na cabeça de alguém que se desloca desde a Figueira da Foz até ao Algarve para se juntar às aglomerações de rua e clamar por justiça, no caso do homicídio da Joana?
Um post enfurecido em defesa do Clooney
Querido Bruno,
Sabes que eu gosto imenso do teu blog, leio-o todos os dias com devoção, aprecio francamente os temas que escolhes para perorar… mas que ideia é esta – e não é só tua – de associar o Sócrates ao Clooney?
Estou perfeitamente consciente do desgraçado panorama estético dos actores da nossa política nacional mas ainda assim: comparar alguém para quem não se olharia duas vezes na rua com aquele quarentão de bata branca, capaz de fazer tremer os joelhos, é pura infâmia.
Parem lá com isso. Por favor.
Sabes que eu gosto imenso do teu blog, leio-o todos os dias com devoção, aprecio francamente os temas que escolhes para perorar… mas que ideia é esta – e não é só tua – de associar o Sócrates ao Clooney?
Estou perfeitamente consciente do desgraçado panorama estético dos actores da nossa política nacional mas ainda assim: comparar alguém para quem não se olharia duas vezes na rua com aquele quarentão de bata branca, capaz de fazer tremer os joelhos, é pura infâmia.
Parem lá com isso. Por favor.
Sunday, September 26, 2004
Saturday, September 25, 2004
E perguntam vocês:
- Como se responde à turcofobia, absolutamente vergonhosa, demonstrada por alguns comissários europeus que insistem em obstar a entrada da Turquia na União Europeia?
- Com uma bela reportagem do Economist:
«It is impossible to demonstrate a priori that Islam is incompatible with liberal democracy. But Turkey is as good a test-case as any with which to prove the point. Indeed, it is precisely in order to encourage Turks (and other Muslims) to buy into liberal democracy that Turkey must be given the benefit of the doubt, and offered EU membership talks. If the Turks move backwards, whether on human rights or on religious fundamentalism, they can always be shown the door again.
The ramifications stretch far beyond Turkey. America and its allies are seeking to foster liberal democracy in the Middle East. In the post-September 11th world, a no to Turkey could have catastrophic consequences. If the EU were to turn its back on Turkey now, not only might Turkey’s own reforms be under threat but it would be widely interpreted in the Muslim world as a blow against all Islam. Conversely, if Turkey becomes part of the European club, it would serve as a beacon to other Muslim countries that are treading, ever so warily, down the path to freedom and democracy.»
[“Why Europe must say yes to Turkey”, Economist, 18-24.09.2004]
- Com uma bela reportagem do Economist:
«It is impossible to demonstrate a priori that Islam is incompatible with liberal democracy. But Turkey is as good a test-case as any with which to prove the point. Indeed, it is precisely in order to encourage Turks (and other Muslims) to buy into liberal democracy that Turkey must be given the benefit of the doubt, and offered EU membership talks. If the Turks move backwards, whether on human rights or on religious fundamentalism, they can always be shown the door again.
The ramifications stretch far beyond Turkey. America and its allies are seeking to foster liberal democracy in the Middle East. In the post-September 11th world, a no to Turkey could have catastrophic consequences. If the EU were to turn its back on Turkey now, not only might Turkey’s own reforms be under threat but it would be widely interpreted in the Muslim world as a blow against all Islam. Conversely, if Turkey becomes part of the European club, it would serve as a beacon to other Muslim countries that are treading, ever so warily, down the path to freedom and democracy.»
[“Why Europe must say yes to Turkey”, Economist, 18-24.09.2004]
Ah… a Place des Vosges
Com um casal a dançar um tango argentino que ecoa por toda a praça, que entra pelo corpo a dentro e faz ter vontade de rodopiar com um perfeito desconhecido.
Friday, September 24, 2004
Receita para não alienar o centro
O Sócrates não é de convicções excessivamente fortes, pois não?
["A Bússola Política do PS", Público, 24.09.2004]
["A Bússola Política do PS", Público, 24.09.2004]
Thursday, September 23, 2004
Ainda o simbolismo das estações de comboio
Curioso o texto que o Bruno escreveu há algum tempo atrás sobre as estações de comboio enquanto lugares de despedida. Por que será recorrente que, quando se mencionam estes espaços, a primeira lembrança que vem à cabeça é o facto de serem “palcos para a perda”, como diz o Bruno de uma forma tão bonita, ou ainda simbolismos de “futuro sofrimento”, como diz o Jorge na sua réplica ao post? Parecerão as estações mais reais, mais vividas, ou porventura mais românticas em momentos de tristeza do que em momentos de alegria?
Incontestavelmente, as estações de comboio são tanto locais de reencontros como de desencontros. O que as torna tão especiais é precisamente o facto de significarem ambos em simultâneo. Não retratam a divisão sentimental, patente na separação física das “partidas” e “chegadas” dos aeroportos, que inevitavelmente torna um dos locais enublado e sofrido para tornar o outro colorido e reconfortante.
As estações de comboio estão singularmente repletas de sentimentos contraditórios: momentos de angústia e momentos de consolo; tão impessoais nas horas mortas e tão à flor da pele nos minutos que antecedem e se seguem ao aparecimento e desaparecimento do comboio, ansiosamente acompanhado desde que aparece no horizonte até perder de vista.
Nas estações, ao contrário dos aeroportos, as partidas e chegadas – e todos os sentimentos que estas acarretam – encontram-se e confundem-se, invariavelmente, numa mesma linha. E igualmente unido por essa linha emerge, sobretudo, o medo do esquecimento. Sempre presente. Em quem vai e em quem fica, em quem volta e em quem esperou.
[Aproveito para agradecer ao Bruno um certo destaque, tão amável, que deixou esta aguarela inchadíssima.]
Incontestavelmente, as estações de comboio são tanto locais de reencontros como de desencontros. O que as torna tão especiais é precisamente o facto de significarem ambos em simultâneo. Não retratam a divisão sentimental, patente na separação física das “partidas” e “chegadas” dos aeroportos, que inevitavelmente torna um dos locais enublado e sofrido para tornar o outro colorido e reconfortante.
As estações de comboio estão singularmente repletas de sentimentos contraditórios: momentos de angústia e momentos de consolo; tão impessoais nas horas mortas e tão à flor da pele nos minutos que antecedem e se seguem ao aparecimento e desaparecimento do comboio, ansiosamente acompanhado desde que aparece no horizonte até perder de vista.
Nas estações, ao contrário dos aeroportos, as partidas e chegadas – e todos os sentimentos que estas acarretam – encontram-se e confundem-se, invariavelmente, numa mesma linha. E igualmente unido por essa linha emerge, sobretudo, o medo do esquecimento. Sempre presente. Em quem vai e em quem fica, em quem volta e em quem esperou.
[Aproveito para agradecer ao Bruno um certo destaque, tão amável, que deixou esta aguarela inchadíssima.]
Wednesday, September 22, 2004
Vá, conta lá como me descobriste
Não sei quê da ONU, bla-bla-bla, bla-bla-bla e uma relação mal curada.
Como uma relação mal curada? Que relação mal curada? Eu lá escrevo sobre uma relação mal curada? Alguém lendo este blog me associaria a uma relação mal curada?
[intervalo para respirar]
A relação está curadíssima. É bem verdade que às vezes me dá para esquecer… mas isso passa-me. Ai não que não passa.
Como uma relação mal curada? Que relação mal curada? Eu lá escrevo sobre uma relação mal curada? Alguém lendo este blog me associaria a uma relação mal curada?
[intervalo para respirar]
A relação está curadíssima. É bem verdade que às vezes me dá para esquecer… mas isso passa-me. Ai não que não passa.
Tuesday, September 21, 2004
«Férias atribuladas»
Foi como a SIC apresentou hoje a notícia da tempestade tropical Jeanne que devastou a República Dominicana, Haiti, Bahamas, e Porto Rico.
A catástrofe natural fez mais de 600 mortos mas chato, chato foi ter arruinado as férias de um casal de portugueses em Punta Cana.
Provincianismo é pouco para classificar a confusão mental de quem achou esta reportagem pertinente.
A catástrofe natural fez mais de 600 mortos mas chato, chato foi ter arruinado as férias de um casal de portugueses em Punta Cana.
Provincianismo é pouco para classificar a confusão mental de quem achou esta reportagem pertinente.
Monday, September 20, 2004
Primeira lição
Pronto. Ou melhor, prontos.
Eu sei que o Aguarela não é, nem de longe nem de perto, como tantos blogs extraordinariamente interessantes e magnificamente escritos que proliferam na blogosfera e nos deixam ansiosos, a roer as unhas, à espera de um post – unzinho que seja – para ganharmos o dia.
Não é sincero e comovente como o da Muska, não é generoso e doce como o da Joana, não é ternurento e carinhoso como o da Rita... estou a sentir-me tão pequenina… inteligente e sensível como o da Inês, espontâneo e bem-humorado como o da Sara... e acabo de me aperceber que também a blogosfera funciona a duas velocidades e eu continuo presa ao Mediterrâneo… hilariante e arrebatador como o da Rititi, delicioso e genial como o da Charlotte... já nem me lembro bem onde queria chegar… ah, mas… é… é o meu Aguarela…
Eu sei que o Aguarela não é, nem de longe nem de perto, como tantos blogs extraordinariamente interessantes e magnificamente escritos que proliferam na blogosfera e nos deixam ansiosos, a roer as unhas, à espera de um post – unzinho que seja – para ganharmos o dia.
Não é sincero e comovente como o da Muska, não é generoso e doce como o da Joana, não é ternurento e carinhoso como o da Rita... estou a sentir-me tão pequenina… inteligente e sensível como o da Inês, espontâneo e bem-humorado como o da Sara... e acabo de me aperceber que também a blogosfera funciona a duas velocidades e eu continuo presa ao Mediterrâneo… hilariante e arrebatador como o da Rititi, delicioso e genial como o da Charlotte... já nem me lembro bem onde queria chegar… ah, mas… é… é o meu Aguarela…
Sunday, September 19, 2004
Estereótipos sexuais
Curiosa a indignação do João Pereira Coutinho, no Expresso da semana passada, perante o grupo de mulheres-bomba, as "Viúvas Negras", envolvidas na tragédia de Beslan. [Tinha-me esquecido de comentar e dei com ele, de novo, hoje de manhã.]
Arriscar-me-ia a dizer – embora ciente da cultura literária do cronista – que as teses feministas sobre a relação entre mulheres e conflitos armados não são o seu forte.
Há imensa literatura que desmistifica a ideia essencialista de mulheres associadas à paz (e vítimas passivas da violência) e homens associados às guerras (enquanto únicos perpetradores dessa mesma violência).
Esta ideia, convenhamos, faz uma divisão demasiado simplista dos papéis. As mulheres não aparecem como intervenientes apenas no terrorismo à escala global; a sua participação activa em vários conflitos, quer nas forças armadas, quer em grupos paramilitares, tem sido amplamente omitida. E esta omissão do seu papel na guerra tem ramificações, conduzindo, frequentemente, a uma negligência do seu potencial papel em contextos de paz.
O pacifismo inerente às mulheres pela sua condição feminina não me convence e, por mais que choque, não é um dado com que possamos contar; mas existe, sim, uma especificidade e uma perspectiva particular no seu discurso que importa valorizar e sem as quais, tanto a análise das causas profundas dos conflitos como as iniciativas de restabelecimento e consolidação da paz, resultarão necessariamente amputadas.
Arriscar-me-ia a dizer – embora ciente da cultura literária do cronista – que as teses feministas sobre a relação entre mulheres e conflitos armados não são o seu forte.
Há imensa literatura que desmistifica a ideia essencialista de mulheres associadas à paz (e vítimas passivas da violência) e homens associados às guerras (enquanto únicos perpetradores dessa mesma violência).
Esta ideia, convenhamos, faz uma divisão demasiado simplista dos papéis. As mulheres não aparecem como intervenientes apenas no terrorismo à escala global; a sua participação activa em vários conflitos, quer nas forças armadas, quer em grupos paramilitares, tem sido amplamente omitida. E esta omissão do seu papel na guerra tem ramificações, conduzindo, frequentemente, a uma negligência do seu potencial papel em contextos de paz.
O pacifismo inerente às mulheres pela sua condição feminina não me convence e, por mais que choque, não é um dado com que possamos contar; mas existe, sim, uma especificidade e uma perspectiva particular no seu discurso que importa valorizar e sem as quais, tanto a análise das causas profundas dos conflitos como as iniciativas de restabelecimento e consolidação da paz, resultarão necessariamente amputadas.
Saturday, September 18, 2004
Não sou militante do Bloco de Esquerda
Mas aqui está uma bela resposta à acusação de “partido das minorias”, nesta entrevista ao Daniel Oliveira, n’A Capital [via um dos dedicados comentadores do Barnabé]:
«Quando o Bloco defende, por exemplo, aquilo que se consideram os direitos das minorias, do meu ponto de vista defende a democracia. Defende um novo conceito para a maior parte da esquerda, que é este: os direitos cívicos não se medem pela quantidade de pessoas que são abrangidas por eles. Sempre que há alguém que é discriminado por qualquer uma das suas opções, é toda a sociedade que é interpelada. A democracia é um tecido coerente que não permite que haja uma parte da população, por ser pouca, por ser classe média ou baixa, não interessa, que possa estar fora dela.»
«Quando o Bloco defende, por exemplo, aquilo que se consideram os direitos das minorias, do meu ponto de vista defende a democracia. Defende um novo conceito para a maior parte da esquerda, que é este: os direitos cívicos não se medem pela quantidade de pessoas que são abrangidas por eles. Sempre que há alguém que é discriminado por qualquer uma das suas opções, é toda a sociedade que é interpelada. A democracia é um tecido coerente que não permite que haja uma parte da população, por ser pouca, por ser classe média ou baixa, não interessa, que possa estar fora dela.»
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